Acabou oficialmente, mas já tinha acabado.
O Sporting terminou o campeonato longe da glória que merece e a que lhe reconhecemos o direito (não obstante a vitória desta noite). Mas não era preciso chegarmos à última jornada para sabermos isso. Só o facto de nos encontrarmos a lutar pelo 3º lugar permitia antever que este não seria um campeonato a recordar, certo? Talvez não.
Não pretendo cair no cliché de desculpar a equipa e contentar-me com aquilo que conseguiram alcançar. Não.Também quero sempre que "o Sporting seja um grande Clube, tão grande como os maiores da Europa". Porém, à semelhança de vários amigos sportinguistas, estive muito mais desanimada no meio da época do que agora. Poder-se-á perguntar, mas porquê, se em ambos os casos falhámos a glória? Por uma razão simples: agora temos o Esforço ,a Dedicação e a Devoção.
Provavelmente, se a equipa tivesse desenhado uma curva descendente, como aconteceu nas proximidades
geográficas do nosso estádio, a minha opinião seria outra, o meu estado de espírito seria outro. Neste caso, depois de ter visto um Sporting, como já não via há muito tempo (se é que alguma vez tinha visto), sem chama, sem vigor, sem vontade... a chegada do Sá Pinto e a volta que a equipa deu fizeram-me ver cada vitória do SCP como se do Campeonato se tratasse.
Não quero com isto dizer que "agora é que vai ser" , não vamos perder mais. Vamos perder jogos, claro. Mas também vamos ganhar. E uma coisa já vi que se mantém com o Sá em ambos os casos. O amor ao clube. Não é obrigatório ser-se do clube que se treina ou em que se joga, mas ajuda. A felicidade do Paulinho a abraçar-se ao Sá Pinto quando ganhamos, assim como , as caras tristes quando não atingimos o objectivo fazem-me sentir que estamos todos juntos. Que não somos só nós a ir trabalhar de trombas à 2ª-feira quando o Sporting não ganha ou a incomodar os vizinhos com a nossa felicidade quando marcamos golo. Estamos todos juntos. Ganhamos e perdemos todos juntos. Peço desculpa pela minha modéstia competitiva mas, este facto, só por si, enche-me de orgulho e alegria.
Espera-nos agora a Taça de Portugal, que nos pode dar a felicidade de ganhar um troféu mas o orgulho, esse, já cá canta.
Alors sans avoir rien
Que la force d'aimer
Nous aurons dans nos mains
Amis, le monde entier
Jacques Brel "Quand on n'a que l'amour"